15 discos para entender o metal

29 05 2010

Todos nós conhecemos o gênero musical heavy metal(metal pesado em inglês)

que se desenvolveu no final da década de 60 e no início da década de 70, em grande parte, na Inglaterra e nos Estados Unidos.Tendo como raízes o blues-rock e o rock psicodélico, as bandas que criaram o gênero desenvolveram um espesso, maciço som, caracterizada por altas distorções amplificadas, prolongados solos de guitarra e batidas enfáticas. O Allmusic afirma que “de todos os formatos do rock ‘n’ roll, o heavy metal é a forma mais extrema, em termos de volume,machismo, e teatralidade”.

As primeiras bandas de heavy metal como Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple atraíam grandes audiências, um atributo comum em toda a história do gênero. Em meados da década de 70, o Judas Priest ajudou a impulsionar a evolução do gênero suprimindo muito da influência do blues presente na primeira geração do metal britânico;o Motörhead introduziu agressividade e fúria nos vocais, influência do punk rock, e uma crescente ênfase na velocidade. Bandas do “New Wave of British Heavy Metal” como Iron Maiden seguiram a mesma linha. Antes do final da década, o heavy metal tinha atraído uma sequência de fãs no mundo inteiro conhecido como “metalheads” ou “headbangers” e também como “metaleiros”, embora dentro do universo ou subcultura do heavy metal o termo seja considerado bastante pejorativo e repudiado pela maioria dos apreciadores do gênero.

Aqui vai uma lista feita pelo G1 com os 15 discos mais influentes desse gênero musical:

Yardbirds – “Ultimate!” (2001, Rhino)
As raízes mais profundas do metal podem ser traçadas até “Rumble”, do guitarrista Link Wray, primeira música a usar uma guitarra distorcida, passando pelo solo maníaco de Ray Davies em

Yardbirds – “Ultimate!

“You really got me”, do Kinks, até chegar à banda que melhor fundiu a nova sensibilidade elétrica dos anos 60 ao blues norte-americano, o Yardbirds. Eric Clapton e Jimmy Page, que viriam dar forma ao hard rock e ajudar no nascimento do heavy metal vieram do Yardbirds, e eletrificaram faixas como “I´m a man” e “Smokestack lighting” de uma forma que os bluesmen mais radicais como “Screaming” Jay Hawkins e Howlin’ Wolf jamais teriam imaginado.

Black Sabbath – “Black Sabbath” (1970, Warner)
Faixas como “Behind of the wall of sleep” e mesmo a clássica “The wizard” mostram que o Sabbath não estava tão longe dos seus contemporâneos que faziam do blues o hard rock. Mas a

Black Sabbath – “Black Sabbath

faixa-título, abrindo o álbum em tom menor, com o som sinistro da chuva e dos sinos, e os gritos nunca atendidos de ajuda de Ozzy Osbourne, fundou o gênero conhecido atualmente como heavy metal. A macabra “N.I.B.” conta com a seguinte frase: “Meu nome é Lúcifer, por favor, pegue na minha mão” – todas as associações do metal com o oculto começam a partir daqui.

KISS – “Alive!” (1975, Universal)
Com suas máscaras e com shows teatrais, o KISS é o elo perdido entre o chocante Alice Cooper, os transformistas do New York Dolls (que viriam a influenciar o glam metal) e os adereços de

KISS – “Alive!

palco da nova turnê do Iron Maiden. Ao vivo, o Kiss ainda é imbatível: Gene Simons vomitando sangue e cuspindo fogo, Ace Frehley voando – o show da banda já chegou a poder ser visto em 3D. Mesmo sem a pirotecnia do palco, foi com um disco ao vivo que a banda conquistou corações – especialmente com “Rock ‘n’ roll all nite”, um hino à boa vida roqueira.

Motörhead – “No sleep ‘til Hammersmith” (1981, Bronze)

O Motörhead já foi considerada uma das bandas mais altas (em decibéis) do mundo, posto disputado ainda com My Bloody Valentine e Manowar. Por sorte, o Guinness desistiu de

Motörhead – “No sleep ‘til Hammersmith

estabelecer o recorde de “grupo de rock que toca mais alto” depois de registrar 126 decibéis em um show do The Who em 1976 – acima de 80 decibéis começam os danos à audição. Mas em seu tempo, o trio liderado pelo barbudo verruguento Lemmy Kilmister também era o mais rápido e gutural que existia, lançando a base do speed e do thrash metal. A melhor prova de que eram imbatíves no palco é este álbum ao vivo, juntando clássicos da banda como “Ace of spades” e “Overkill”.

Iron Maiden – “The number of the beast” (1982, EMI)
O Iron Maiden foi a grande banda da New Wave of British Heavy Metal, que ajudou a definir o que reconhecemos atualmente como metal. Depois do Black Sabbath, o Maiden é

Iron Maiden – “The number of the beast

provavelmente o grupo mais influente da história do heavy metal. “Number” é o primeiro disco da banda com Bruce Dickinson nos vocais e traz hits como “Hallowed be thy name” e “Run to the hills” (ambas no setlist atual da turnê do grupo). O clima de filme de terror, os trechos de diálogos de filmes, os vocais “operísticos” e o clima épico iria definir para sempre a imagem do Iron Maiden.

Venom – “Black metal” (1982, Neat)

Venom – “Black metal” (1982, Neat)

O Venom levou a tarefa de assustar os pais ao extremo com seu segundo álbum e, de lambuja, criou e nomeou um subgênero onde o satanismo e o oculto seriam tomados completamente a sério. O som extremo do Venom influenciou o thrash, o death e especialmente o “true norwegian black metal” – cujos integrantes, de bandas como Mayhem e Burzum, queimariam igrejas e matariam uns aos outros no início da década de 1990. Faixas como “Countess Bathory” (sobre a “condessa vampira” húngara do século XVII), “Leave me in hell” e “Black metal” fizeram mais pelo crescimento do satanismo no mundo que a “Bíblia satânica” de Anton LaVey.

Mötley Crüe – “Shout at the devil” (1983, Elektra)
No Brasil o som de bandas como o Mötley Crüe e seus colegas da Avenida Sunset Strip, em Los Angeles, normalmente não é associado ao metal – apesar de serem reconhecidos como uma das

Mötley Crüe – “Shout at the devil

bandas mais famosas do “hair metal” em obras como “Metal: A headbanger’s journey” e “Sound of the beast”. Influenciados pelo glam do New York Dolls e Slade (além dos finlandeses do Hanoi Rocks), os integrantes do Crüe usavam maquiagem, roupas femininas e muito laquê nos cabelos – que o digam músicas como “Looks that kill”. Mas isso não quer dizer que eram aproveitadores que não sabiam de onde vinham – uma das faixas do disco é uma cover de “Healter Skelter”, protometal dos Beatles.

Slayer – “Reign in blood” (1986, Def Jam)

Em 1986, esse era o disco mais rápido, brutal e agressivo a aparecer por uma grande gravadora. A influência do Slayer vai muito além do thrash metal, e foi uma das bandas responsáveis pelo

Slayer – “Reign in blood

surgimento do death metal de artistas como Obituary e Deicide. E “Reign in blood” misturou tudo que havia de mais extremo, no som e nos temas, para criar uma obra prima do heavy metal. Os vocais guturais de Tom Araya estão à beira da imcompreensão, a velocidade das guitarras de Kerry King e Jeff Hanemann é assombrosamente rápida, e Dave Lombardo é um monstro, literalmente, na bateria. Graças ao Slayer, o mundo é um lugar um tanto mais assustador.

Metallica – “Master of  puppets” (1986, Elektra)
É praticamente impossível escolher o melhor ou mais importante entre os quatro primeiros álbuns do Metallica, mas “Master of puppets” conseguiu o equilíbrio certo entre a urgência de

Metallica – “Master of the Puppets

“Kill ‘em all” e a técnica de “…And justice for all”. Lançado em 1986, mesmo ano de “Reign in blood” do Slayer, “Master…” também é a estreia da banda em uma major – no caso, a Electra. O disco foi gravado na Dinamarca, no mesmo estúdio onde a banda fez “Ride the lightining”, de 1984. Coeso, o disco de despedida do baixista Cliff Burton, que viria a morrer em um acidente com o ônibus de turnê da banda, é um tratado de thrash metal do começo ao fim, passando por clássicos como a faixa-título e “Welcome home (Sanitarium)”.

Helloween – “The keeper of the seven keys pt. 1” (1987, Noise)
O que no Brasil se conhece por heavy metal melódico muitas vezes é chamado de power metal em outros países. O Helloween é um dos mais importantes representantes do gênero, que se

Helloween – “The keeper of the seven keys pt. 1

caracteriza pelo apelo quase sinfônico e influências da música clássica ocidental. “Keeper of the seven keys” foi pensado pelos alemães para ser um álbum duplo, mas a gravadora insistiu para que fosse dividido em duas partes. A rapidez das guitarras é combinada com uma técnica impecável, com solos melódicos, enquanto a voz do cantor Michael Kiske encontra alturas operísticas, completando o clima Wagneriano de músicas como “Twilight of the gods” e “Future world”.

Ministry – “The land of rape and honey” (1988, Warner)
Nascido como uma banda de eletrônica pop no começo dos anos 80, o Ministry foi influenciado pelo rock industrial de bandas como Throbbing Gristle e Cabaret Voltaire – quando adicionou

Ministry – “The land of rape and honey

riffs de metal sampleados às experimentações concretistas, acabou criando metal industrial ao lado de grupos como Skinny Puppy. Reprocessando o som metálico e se valendo de temas como morte, violência e ocultismo (“Golden Dawn” faz referência ao culto liderado por Aleister Crowley), o Ministry influenciou gerações de artistas, de Nine Inch Nails a Marylin Manson e até parte do nü metal. Eles fariam ainda mais sucesso década de 90 adentro, com o disco “Psalm 69” e músicas como “N.W.O.”, mas é com “The land of rape and honey” e sua faixa de abertura “Stigmata” que a história começou.

Dream Theater – “Images and words” (1992, Warner)

Fruto da fusão entre o peso do metal e o formalismo clássico do rock progressivo de bandas como Rush e Emerson, Lake & Palmer, o metal progressivo encontrou seu grande momento no

Dream Theater – “Images and words

Dream Theater. Formado por músicos que estudaram na Universidade de Berklee, em Boston, o Theater é uma banda cerebral, quase matemática, cujas músicas soam como pequenas e complexas sinfonias. Isso não impediu o sucesso da banda, que alcançou o disco de ouro com “Images e words”, com direito ao hit “Pull me under” em alta rotação na MTV.

Sepultura – “Chaos A.D.” (1993, Roadrunner)
A maior banda de metal brasileira de todos os tempos, o Sepultura teve seu auge com “Chaos A.D.”, disco que levou para o mainstream uma fama cimentada no underground com discos como “Beneath the remains” e “Arise”. Com um som voltado para o thrash metal, a banda abraçou também a política em letras como “Refuse / Resist” e “Biotech is Godzilla” (parceria com o punk Jello Biafra, ex-Dead Kennedys). Ao lado do vocal grave de Max Calvalera e da tensão crescente construída pelas guitarras, destaca-se a bateria de Iggor Cavalera em faixas como “Territory” e a instrumental “Kaiowas”. (maus ai pessoal,ta sem imagem de onde eu peguei)

System of a Down – “Toxicity” (2001, Sony)

 

De toda a geração do nü metal, o System of a Down foi a banda que mais se aproximou do metal “clássico” dos anos 80, com grande influência de grupos thrash como Anthrax e Metallica. Mas

 

 

 

 

 

System of a Down – “Toxicity

 

o quarteto, formado por músicos de origem líbano-armênia, também aprenderam as lições do Sepultura em “Roots” e misturaram suas raízes ao seu som, adicionando elementos de música folclórica do Leste Europeu e Oriente Médio. Porradas como “Prison song” e “Toxicity” se alternam no principal disco da banda com momentos mais “pop” (e ainda pesados) como “Aerials” e o hit “Chop suey”.

Mastodon – “Leviathan” (2004, Relapse)
Depois do nü metal dominar a cena no final da década de 90, nos EUA o metal passa por um renascimento – em 2005 o jornalista Garry Sharp-Young lançou um livro que nomearia esse

Mastodon – “Leviathan

movimento: “New wave of american heavy metal”. O Mastodon é uma das bandas mais promissoras dessa leva, e foi “Leviathan”, álbum conceitual sobre o livro “Moby Dick”, que levou a banda ao reconhecimento mundial. Fundindo uma técnica instintiva que os aproxima do metal progressivo, tempos lentos do doom e a agressividade do thrash, a banda é quase inclassificável (apesar de muitos insistirem no rótulo sludge metal). Mas no fim toda a discussão vem abaixo diante da força de faixas como “Blood and thunder” e “Aqua dementia”.

By:Otávio~


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