Suspeito de matar Glauco queria provar ser Jesus

12 03 2010

O universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, suspeito de assassinato contra o cartunista Glauco,  queria ajuda para provar à mãe que é Jesus. A versão foi contada nesta sexta-feira pela enteada do cartunista, segundo o cunhado de Glauco, Douglas Pinheiro, que a acompanhou durante depoimento em Osasco. Segundo Pinheiro o suspeito rendeu a família e queria levar todos para sua casa para que eles o ajudassem a convencer a mãe de que é Jesus. Glauco resistiu à ideia de levar todos e se prontificou a ir sozinho, mas ainda assim foi atingido por quatro tiros. Primo de Glauco e um dos fundadores da Igreja Céu de Maria, Orlando Cardoso de Oliveira, disse que o suspeito rendeu a enteada do cartunista e a fez bater na porta da casa de Glauco. Segundo ele, Glauco saiu da casa e teve uma arma apontada para a cabeça. Foi quando o suspeito pediu que ele o acompanhasse até a casa dele. “Ele escolheu o Glauco talvez pelo fato de ele ser um líder e carismático”, disse Oliveira. Quando Glauco já estava entrando no carro, o filho Raoni chegou, de acordo com o parente. O suspeito, então, ameaçou se matar e chegou a apontar a arma para a própria cabeça.

Filho da Puta!

“Ele [o suspeito] estava afastado há seis meses da igreja. E não usava nenhum remédio psiquiátrico. Quem toma medicamento, não pode ingerir o daime.” Segundo Oliveira, em 2009, 11 mil pessoas passaram pela igreja fundada por ele e por Glauco. O delegado Archimedes Cassão Veras Junior, do Setor de Investigações Gerais de Osasco, afirmou que a polícia já conversou com familiares do suspeito do assassinato do cartunista Glauco e do filho dele, Raoni. De acordo com o delegado, a família afirmou não saber onde o jovem de 24 anos está. Archimedes disse que, pela descrição da família, o rapaz tem perfil “problemático”, pois não arrumava emprego e já teve passagem por porte de drogas, possivelmente maconha. Archimedes disse que o autor do homicídio foi identificado pelas testemunhas como o jovem. “O autor do homicídio é esse indivíduo”, disse o delegado. A polícia investiga ainda a possibilidade de envolvimento de outras pessoas, segundo o delegado. “Uma ou duas”, disse.  Os familiares do suspeito disseram que não sabiam que ele tinha ido à casa de Glauco. A polícia acredita que ele tenha ido conversar porque era frequentador da casa e costumava pedir conselhos ao cartunista.

Os corpos do cartunista Glauco e do filho dele, o universitário Raoni, serão enterrados neste sábado (13), no Cemitério Gethsêmani Anhanguera, em Osasco, na Grande São Paulo. Os corpos foram liberados pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Osasco por volta das 13h30 desta sexta-feira e seguiram para a Igreja Céu de Maria, do Santo Daime, que fica ao lado da casa do cartunista, próximo do local do crime, onde serão velados. Segundo o Cemitério Gethsêmani Anhanguera, os corpos serão velados na igreja até as 9h de sábado. Ao chegarem no cemitério, haverá mais duas horas de velório. O sepultamento deverá ocorrer entre 11h e 12h de sábado.

Veja alguns cartuns feitos em homenagem ao Glauco:

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By: Luca Lobo





Glauco está morto!

12 03 2010

O cartunista Glauco Villas Boas, conhecido como Glauco, 53 anos, e seu filho Raoni Villas Boas, 25 anos, foram mortos na madrugada desta sexta-feira (12). Segundo o advogado da família, Ricardo Handro, o crime ocorreu após uma tentativa de assalto na residência da família em Osasco, na Grande São Paulo. Já o boletim de ocorrência traz uma versão diferente e informa que os criminosos teria atirado nas vítimas de dentro de um carro na Estrada de Portugal. Os dois foram socorridos e levados para o Hospital Albert Sabin, na Lapa, Zona Oeste de São Paulo, mas chegaram mortos ao local. O hospital confirmou a entrada dos corpos de pai e filho à 0h45. Os corpos chegaram ao Instituto Médico Legal de Osasco às 6h50 desta sexta-feira. Ninguém foi preso, segundo a Polícia Militar.

De acordo com Handro, os dois homens que invadiram a casa do cartunista estavam aparentemente drogados. “Eles não falavam coisa com coisa, estavam aparentemente drogados. Mais que advogado da família, sou amigo de Glauco há 12 anos. Foi uma fatalidade, uma coisa terrível”, disse o advogado ao G1. Segundo Handro, os homens renderam a filha do cartunista quando ela tentava entrar em casa. Eles entraram na residência e anunciaram que levariam toda a família. Glauco negociou para que apenas ele fosse levado. Durante a negociação, o cartunista levou uma coronhada

Mundo cruel...

no rosto. Ao saírem do local, o filho Raoni voltava da faculdade e se assustou com o pai sangrando e com uma arma apontada para a cabeça. Raoni tentou negociar e neste momento os bandidos deram quatro tiros em Raoni e outros quatro em Glauco. Um dos tiros acertou o rosto do cartunista. A mulher e a filha de Glauco presenciaram tudo. Assim que forem liberados pelo IML, os corpos de Glauco e Raoni deverão ser velados na casa da família, na Estrada de Portugal. O enterro deve acontecer no Cemitério Anhanguera. Ainda não foi definido o horário do sepultamento.

Perfil

Glauco Villas Boas nasceu em Jandaia do Sul, no Paraná, em 1957. Ele era da família dos sertanistas Orlando, Claudio e Leonardo Vilas Boas. Como cartunista, publicou seus primeiros trabalhos em 1976, no “Diário da Manhã” de Ribeirão Preto, e em 1977 ganhou seu primeiro prêmio no Salão do Humor de Piracicaba.  Ainda em 1977, passou a fazer parte do elenco de cartunistas do jornal “Folha de S. Paulo”, onde consagrou personagens como Geraldão, Geraldinho, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Casal Neuras e Doy Jorge. Dono de um traço marcante e de um estilo de humor ácido e de piadas visuais rápidas, Glauco criou personagens que de certa forma representavam suas próprias experiências na São Paulo dos anos 1980, com referências a sexo, drogas e violência urbana.

Em 1991, participou ao lado de Angeli e Laerte da criação da tira “Los 3 amigos”, uma brincadeira do trio de cartunistas com o universo dos filmes de bang-bang e seu retrato dos personagens mexicanos. Atualmente, Glauco publicava tiras diárias e charges no jornal “Folha de S. Paulo”. Seus quadrinhos antigos vinham sendo republicados por editoras como Opera Graphica e L&PM. Há anos Glauco morava em uma chácara nas proximidades do Pico do Jaraguá em São Paulo, onde também mantinha um centro de ritual do Santo Daime. Sua opção pela vida na serra em oposição à vida urbana era citada com frequência nas tiras do Cacique Jaraguá. Glauco retratava ainda a violência nas cidades através das HQ do personagem Faquinha. Em uma entrevista publicada na “Folha de S. Paulo” em 2004, Glauco lamentou a suposta falta de sintonia com as novas gerações. “Meu traço não é bom para retratar o futuro. Corro o risco de não falar a língua da moçada.”

Glauco também fez parte da equipe de redatores dos programas “TV Pirata” e “TV Colosso”, da Globo.

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By: Luca Lobo